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O tom político voltou a nortear o prêmio Nobel de literatura deste ano, anunciado ontem na Suécia – se não veio com a pesada carga que marcou a eleição do turco Orhan Pamuk em 2006, a escolha do francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, de 68 anos, não escondeu um viés anti-segregacionista da Academia Sueca, que justificou a decisão por ser Le Clézio um “escritor da ruptura, da aventura poética e do êxtase sensual, explorador de um humanismo que está além da sociedade dominante”. Ele estava em Paris, quando foi comunicado da vitória. O telefonema, aliás, dos membros da Academia Sueca foi atendido por sua mulher, pois Le Clézio estava lendo e escrevendo.De fato, os personagens de Le Clézio, o primeiro autor nascido na França a ganhar Nobel desde 1985 quando venceu Claude Simon (o escolhido de 2000, Gao Xingjian, nasceu na China mas se naturalizou francês), vivem em meio a preconceitos e intolerâncias, buscando espaço em mundo em que a globalização não é usufruída por todos.
Tal opção faz jus à sua própria história – descendente de uma família da Bretanha que emigrou para a Ilha Maurício, no Oceano Índico, no século 19, Le Clézio nasceu em Nice, na França, em abril de 1940, mas viveu em diversos lugares, sempre atrás dos pais. Essa movimentação incentivou também uma precoce carreira literária: quando o pai, que era médico, foi designado para a Nigéria, ele escreveu, no barco que os conduzia, suas duas primeiras obras, Un Long Voyage e Oradi Noir. Detalhe: ele tinha apenas 7 anos.
A estréia profissional aconteceu mais tarde, aos 23 anos, quando publicou Le Procès-Verbal. Nessa época, Le Clézio já era formado em literatura e filosofia e se preparava para morar em diversos lugares do mundo, onde daria aulas. O estilo aventureiro, portanto, marcou sua obra, como no período em que viveu em meio a índios no México e Panamá, em 1970. “Essa experiência mudou minha vida, minhas idéias sobre a arte, minha maneira de ser, de andar, de comer, de dormir, de amar e até de sonhar”, disse.
Não é de se estranhar, assim, a influência de Os Sertões, de Euclides da Cunha, especialmente na obra A Quarentena (Companhia das Letras), baseada em uma história verdadeira. “Euclides também narra uma experiência extrema passada na vida real”, disse ao Estado, em 1997.
Extraído de http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081010/not_imp257163,0.php
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http://www.lemonde.fr/livres/article/2008/10/10/le-clezio-nobel-de-la-rupture_1105439_3260.html



